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7.12.10

:: LEMBRANÇAS ::


"É muito bom, muito mesmo, ter um amigo como você. Do seu jeito, com o teu carinho, acho que não vivo mais sem ele.

Te amo muito e te cuida, não deixe que nada nem ninguém te cause nenhum mal."

Martha Ferreira, em 06/07/2005.


Pode deixar, Martha.
A saudade que eu sinto de você é incontrolável. E seus ensinamentos, carrego comigo.
Até.


4.3.10

:: MISSING... ::


I miss your happiness, your joy, your affection, wisdom, elegancy. You left your better for me. I'd like you were here, now, just to understand a few of my world and of the people around me. But I know you're still by my side, sending your impressions. Thanks a lot.

22.6.09

:: A ARTE IMITANDO A VIDA ::

Nesse sábado último, vinte de junho, saí comigo mesmo. Fiz um programinha clichê a um. Não tinha balada programada, nem chope, nem vinho, nem sexo. Estava em casa, entediado, frio. Troquei a roupa e fui pra rua. A priori, pensei em convidar minha prima, para fazermos alguma coisa juntos. Passei na loja dela. Conversas e conversas, vi a programação do cinema. Interessei-me. Ia convida-la, mas o público no recinto tava grande e ela entretida com a movimentação. Calei-me. Dei beijo e tchau. Fui só.

Há muito tempo que não saía comigo mesmo. Para nada. Só pra me curtir. Eu e meu eu. Olhamos vitrines, conversamos. Lanchamos hambúrguer com batata frita e refrigerante. Pegamos um cineminha. O filme? Divã. Poxa... Que viagem!

Trocando em miúdos, a trama contava a jornada de uma mulher casada que se depara com sua vida ao procurar um analista – sem motivo, a princípio. Ao se olhar, começa a enxergar que sua vida está chata, sem porquê. De acordo com ela, se havia algum problema, não era por falta de felicidade. Apenas estava tudo a mesma coisa. E começa um recomeço. Transforma-se.

Pronto... Reconheci a Martha. Minha amiga, confidente, companheira. Nossa... Quanta saudade eu sinto dela. Olhar a personagem se transformando – de mulher casada, cabelo preso, para mulher fatal, sensual, cabelo repicado. Fantástico. A Martha viveu uma jornada mais ou menos assim. De cabelo preso à cabelo repicado. Separou-se e foi viver o recomeço. Diferenças entre as personagens [a Marcêdes do filme e a Martha da vida real] são gritantes, mas algumas semelhanças são tão próximas.

Confesso humildemente que chorei. E, curiosamente, antes de começar a assistir o filme, ainda na fila, sentia-me angustiado. Sei lá. Coincidência ou não, foi diferente. Parecia uma presença.

Pode soar chato, repetitivo, eu ficar falando isso. Mas a verdade é que ninguém é capaz de compreender o que eu sinto. A minha relação com ela é surreal. É eterno e ninguém, no mundo, será capaz de destruir, abalar. É meu e dela. Só nosso.

28.11.08

:: ENCONTRE-ME NOS SONHOS ::

Sonhar, para mim, sempre foi uma grande aventura. Essa minha instância onírica é o grande ponto de encontro com o outro lado.

Acredito em toda a espiritualidade, toda essa questão de energias que fluem positiva ou negativamente, deuses guardiões. Sou muito místico e aprendi a permitir esse lado conversando com uma tia. Ela também tem essa relação, digamos, íntima, com o sobrenatural através de sonhos e, em função de suas histórias, comecei a prestar atenção nos meus sonhos. Parece que, aí, derrubei barreiras e abri o canal.

Tive mais uma prova disso essa noite.

Uma amiga minha faleceu há três meses. Ela já estava doente há muito tempo e foi para o Rio fazer o tratamento. Seu mal foi o câncer e, em decorrência disso, submeteu-se a severas sessões de quimioterapia. Infelizmente o corpo não resistiu.

Ela era um ser grandioso. Mulher. Aprendi a prestar atenção na minha espiritualidade também com ela, pessoa a quem confessei as coisas mais importantes da minha estrada. Perde-la foi um choque. E ainda dói. Porque, enfiado nessa vida louca de faculdade – na época eu ainda estudava – trabalho, estágio, a vida foi passando, o tempo, os dias, os meses. Poucas foram as vezes que eu consegui conversar. Ligar. A última, se não me falha a curta memória, foi poucos dias antes do Natal, quando liguei para desejar Boas Festas. Lembro exatamente suas palavras de esperança. Depois disso o tempo correu. Tentei contato, claro! Mas não conseguia falar. Mandei mensagens. Confesso que fui ausente.

Não há um só dia que eu não tenha um flash-black. Uma vitrine com as novas tendências, um caso do acaso, um óculos lindo, um scarpin, um capítulo de Sex and the City. A confusões do dia-a-dia, as comédias da vida. Tudo me leva a ela.

Ontem, andando pela rua, voltando para casa, sua imagem me veio em mente. Pensei: você podia vir falar comigo pelo sonho, que tal? Passou.

Casa. Banho. Internet. Sex and the City. Cama. Sono. Sonho.

Eu estava na loja da minha prima, onde estou praticamente todos os dias. Ela apareceu. No sonho, por acaso. Abraçou-me tão sinceramente, da mesma maneira como me abraçou quando fiz a minha primeira confissão. Disse que estava com saudade. Que já tinha tentado me ligar. Estava linda, como sempre. Foi surpreendente.

Surpreendente da mesma maneira como descobri a sua passagem. Foi em meio a um turbilhão.

Minha vó faleceu em seis de setembro de dois mil e oito. Um sábado à tarde.

Na quinta-feira anterior, eu havia sonhado com Martha. No jardim da minha casa. Ela, sorrindo ao lado das duas filhas. Uma, a Renata, grávida.

Enquanto viva em carne, Martha sempre falara que não aceitaria bem uma gravidez precoce de suas filhas. Porém, no sonho, ela estava feliz com o nascimento daquele bebe.

Acordei, na sexta, entrei em contato com a Renata e pedi notícias de sua mãe.

No sábado – seis de setembro – recebi a resposta. “Ela estava muito doente e faleceu”. Um soco.

Mas, como eu estava anestesiado por conta do falecimento da minha avó, a ficha não caiu. Lamentei, mas não me desesperei, pelo contrário, lisonjiei-me.

Ora, ela veio me avisar que tinha partido. E, mais: que havia aceitado aquele nascimento – no sonho, representado pela gravidez da Renata.

Ela havia nascido denovo. Estava muito doente e sacrificada. E veio me contar. Ainda mais, buscou contar-me enquanto eu estava envolvido naquela confusão de vida-morte-vida. Se não fosse assim, eu saberia no dia exato do meu aniversário – mesmo dia do aniversário dela. Procuraria para desejar parabéns e...

É gratificante demais saber que fui importante pra ela, porque ela marcou a minha vida, a minha história, o meu tempo.

É gratificante saber que eu tenho um canal de comunicação.

É gratificante. E confortante.