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16.9.10

:: O QUE SERÁ? ::


Hoje acordei com uma vontade latente, a pular pelos olhos, de chorar.

Aquele aperto característico no peito, aquele nó angustiante na garganta.
Parece saudade. Mas de quê?
Talvez remorso. Mas de quê?
Medo.
Dor.

Uma vontade incessante de chorar.

19.7.10

:: EGO ::


O ego é o pior inimigo do ser humano.

É como um vício, que precisa ser alimentado diaramente. E, dependendo de sua intensidade, com doses quase que cavalares.
Deve-se tomar muito cuidado com ele. Pois, com certeza, não é quem você é. Ele é o que os outros querem, quiseram e quererão que você seja.

14.7.10

:: PARONIMANIA ::


O que me mata é ver que ainda há dúvida, principalmente em grandes mídias de alcance massivo, o que não deveria, na questão dos parônimos DESPERCEBIDO e DESAPERCEBIDO.
Eu, que sou jornalista somente por formação e não por profissão, tô cansado [careca, nunca!] de saber que DESPERCEBIDO é algo que passa e não é notado. Assim como algumas pessoas que passam pela gente e são como aquela portaria de prédio que você passa todos os dias na frente, mas não vê. Porque não percebe, porque está desatento.
Ao ponto que DESAPERCEBIDO é o meu bolso em relação ao dinheiro, é o político em relação ao caráter, é o bebê em relação ao discernimento, porque são naturalmente DESPROVIDOS. Ainda, é o gaiato em relação à fatura de cartão de crédito mais alta, aquele que não está com uma camisinha no bolso e tem a oportunidade do dia, o amante em relação ao término repentino, que fica sem saber ou entender muita coisa, porque estão puramente DESPREVENIDOS.
Entendam que parônimos são como alguns relacionamentos: parecidos ao que se ouve ou vê, mas com significados completamente diferentes.
Cuidado!

4.11.09

:: ELIXIR DE VIDA ::

Hoje eu tomei um banho de chuva. Era gelada, mas graciosamente aqueceu a alma. Foi uma sensação curiosa. O calor daquela chuva fria esquentou tanto que borbulhava por dentro. Era uma vitamina se consolidando no frenesi de um liquidificador interno. Aquela tormenta de alegria que se instaurou em algum lugar de dentro - que não sou capaz de explicar e, talvez, ninguém de entender - foi tomando conta calada que, quando dei por mim, sua grandeza já era demais para eu segurar e não fui capaz de contê-la. Ao que expludiu num espontâneo sorriso singelo de pura felicidade pacificadora, apesar de incontrolável.

Foi a sensação mais sincera que tive quando senti o primeiro pingo de chuva de hoje. Acho que nunca havia experimentado desse alucinógeno. Não dessa forma. Pura e saudável. Fui levado a momentos de viagens reminiscentes.

Aquele moleque travesso, esperto. Aquela criança feliz. Aquele garoto malandro. Aquele menino que nunca morreu. Que ainda está aqui. Apesar de escondido. Mas não por muito tempo, porque a chuva foi mais esperta que ele e o acordou.

E o tesão de ver que em nada mudou, foi êxtase. Foi à flor-da-pele. Foi além do intrínsico. Estava lá para quem quisesse assitir. Explodi em sete cores que tomaram conta de tudo em volta e fizeram de cada gotícula daquele temporal, um verdadeiro festival matiz, revelando tudo de melhor que estava guardado. A outra face do lado escuro. O sol.

Era mágico. Além da realidade. Meu e de todos.

Era simples. Era puro. Verdadeira auto-entrega.

Era amor. Próprio.

28.10.09

:: INFÂNCIA ::

Por ora, a vida parece um conto de fadas às avessas. A gente passa toda a infância achando que o mundo dos adultos é a perfeição. A terra de Oz onde tudo é possível. São pedidos diários para acordarmos grandes e independentes com a pseudo-possiblidade de realizar todos os desejos. Ter uma loja de brinquedos e a infinita liberdade de se divertir. Ou um supermercado inteiro de guloseimas. E esse é o grande encanto da infância que nós trocamos a qualquer custo por uma vida de adulto, só por acreditar que gente grande tudo pode. O tempo vai passando e junto começa um processo de ruptura com a fantasia. Começamos a perceber que para toda essa maravilha é preciso se curvar ao mais cruel dos reis. Ao império do dinheiro! E, pronto... Começam os problemas.

Mas a imaginação de uma criança flui e não procrastina. Sempre em perfeita harmonia com o mundo do “tudo pode”, ela começa a buscar quais as maneiras de realizar os seus desejos. É um processo, praticamente, de pesquisa empírica sobre a realidade da fantasia – apesar do paradoxo. Lança olhares de rapina na esperança, sempre, de encontrar os meios para a realização dos desejos, pois, mesmo criança inocente, já percebe que aqui – no mundo dos homens grandes – sem dinheiro não dá. É um discurso rotineiro que vai construindo a muralha no mundo sem limites de um infanto: “hoje não pode porque mamãe está sem DINHEIRO”, “ mês que vem você ganha, porque papai já vai ter DINHEIRO”. Dinheiro, dinheiro, dinheiro.

Trocador de ônibus passa a ser uma opção, afinal ele recebe muitas moedas de todos e ainda guarda as notas mais altas com ele. Enquanto em casa, encher o cofrinho é bem mais difícil. Os caixas de supermercado também não ficam atrás. São ótimas oportunidades. Os donos de bancos, poxa! Eles têm maquininhas que é só apertar que sai dinheiro! Que vida maravilhosa! Santa inocência de infância! Talvez até o político poderia entrar nesse rol, porque eles também ficam com o dinheiro de todo mundo, mas de uma maneira nada lícita. E, além do mais, é melhor não induzir crianças a seguirem por esse caminho.

No entanto, no processo natural das coisas, a inocência começa a se desfazer e dá lugar a uma crença de que a realidade não é tão simples assim. Os castelos desmoronam, o mundo da fantasia, que é tão mais tragável, começa a ficar seco, acre, azedo. A gente passa de esperto sonhador, de puro inocente, a um áspero adulto.

Descrente, por vezes, de toda aquela perfeição. Desestimulado de sonhar como criança. Desacreditado de tudo. Envolvido nessa realidade cruel do mundo. Mergulhado numa rotina estressante de dia-a-dia.

“Aproveite enquanto o sonho é grátis!”

17.10.09

:: A CARTA MAIS SINCERA ::

Dizem que o câncer é, numa grande maioria, psicológico. Mágoas, tristezas, rancores, sentimentos ruins, pequenos. Guardar toda essa cólera é uma maneira de envenenar a si próprio. Não quero ter essa droga comigo até o último dia de vida. Tenho certeza que não será salutar deixar essa estricnina comendo, corroendo, aos poucos, como ferrugem em metal velho e úmido.
A gente tem que alimentar, germinar, cultuar e regar, em nossos corações, aqueles sentimentos puros de paz, tranquilidade, amor [principalmente o próprio]. E é isso que quero para minha vida. Aprendi a fazer floscerer esses "good feelings". Minha pele está melhor, garanto.
Então, não vou guardar nada de ruim só para mim. Não posso ser egoísta a tal ponto. Aliás, isso é outra coisa que aprendi, a não ser egoísta. Por isso, vou dividir tudo com você. Derramar por inteiro esse lixo no teu ego inútil, escondido num Castelo Branco, e me libertar. E a partir desse instante, fazer com que saiba, exatamente, o que penso: maldito seja o dia em que cruzou o meu caminho!
Não vou morrer de câncer. Porque não vou guardar os piores sentimentos que carrego sobre você. Asco, nojo, pena. Só isso.
Quando cruzar por mim, pelas ruas, não fará mais aquela cara sonsa que fez a vida inteira, de desentido. Saberá exatamente o que penso ao teu respeito.
Pena.
E um pouquinho de raiva.
Os dois são, talvez, uma combinação perfeita. Para você.

Agora me diz, como é saber que as únicas coisas que conseguiu despertar numa pessoa foram sentimentos negativos?

Carregue essa culpa pelo resto de sua vida.

Sinceramente...

14.10.09

:: GUERRA DE CONCEITOS ::

Há algum tempo duas palavras vêm me incomodando. Fidelidade e Lealdade. Hora e outra cruzam-se, travando, em mim, uma luta ferrenha no campo da capacidade intelectual e emocional de compreender coisas, fatos e conceitos. Não consigo chegar a uma relação de paz entre elas, simplesmente por não conseguir distingui-las ou separa-las.
Fui tentar uma coisa técnica. Busquei no dicionário seus respectivos significados. Mas um me levava ao outro. Ser leal é ser fiel que para sê-lo é preciso lealdade. Caí numa tautologia viciosa.
Penso que não dá para dissociá-las. Estar na fidelidade é, automaticamente, ser uma pessoa leal. Estar na lealdade é, automaticamente, ser uma pessoa fiel.
Você pode ser fiel sem ser leal?
Você pode ser leal sem ser fiel?
Já ouvi discursos de pessoas que dizem separar esse joio do trigo. “Acredito na lealdade, não na fidelidade”. Como? Confesso, sincero, que não sou tão evoluído assim. Hoje, tudo se separa, dissolve e talvez pelo meu “quê” tradicional, ainda não tenha conseguido adaptar-me a essa nova forma de fidelidade e lealdade. Assim, tão separadas.

12.10.09

:: WHY ME? ::

Por que, quando vem para o amor, temos a mania pessimista de não acreditar nas declarações sentimentais que os outros expressam a nós? Pergunta-se sempre: "Why me?"
Como uma maldição, estamos sempre armados contra o amor. Ser descrente tornou-se característica na atualidade. Parece uma síndrome pós-moderna.

Falando em pós-modernismo, o que virá depois?

Antiguidade. Modernismo. Pós-Modernismo.
Tenho medo do "time-after".
Talvez seja a tal bonança que dizem vir após a tempestade.

6.10.09

:: DISCURSO ANTI-TECNICISTA ::

Tenho medo das novas tecnologias e as novas formas de relacionamento pessoal. De como serão as coisas daqui pra frente. Ao passo que anda... Todo esse avanço tecnológico reformulou o modo como as pessoas se relacionam atualmente. As coisas parecem solúveis, fluídas, escorregadias. Talvez o discurso Baumaniano estaja certo, as novas relações pessoais, nesse mundo pós-moderno, dissiparam-se. Transformando-se em sentimentos leves e líquidos. De momento, de instante. E até o discurso McLuhaniano de que tudo se resuma a uma coisa só com o advento das tecnologias complementa essa sutil revolta. Nessa aldeia global, esses novos aparatos técnicos tornaram-se extensões do corpo humano, fazendo do homem um ser cada vez mais preguiçoso e emburrecido. Torno a repitir: tenho medo disso tudo. Vejamos o caso. Há algum tempo cancelei minha conta no site de relacionamento Orkut - que fez parte da minha rotina diária por quatro anos consecutivos. E o fato é que, após esse suicídio, é como se eu tivesse sido abduzido do mundo e não estivesse mais fazendo parte da realidade. É como se eu estivesse cometendo uma heresia, um crime social quase perfeito. Comecei a ouvir coisas do tipo: "Credo, você não tem orkut?". E o que mais me incomoda é saber que estar fora de lá é, praticamente, tornar-se um ser insignificante. Foi meu aniversário e a grande maioria do meu rol de amigos esqueceu disso. Tirando apenas aqueles que já faziam parte da minha vida antes da febre do Orkut. Sendo mais claro, apenas uma amiga dos tempos de escola, a família e alguns conhecidos do antigo trabalho da minha mãe que me conheceram menino. Fora isso, todos os outros que são verdadeiramente íntimos e importantes para mim e vivem no mundo cibernético orkutiano, simplesmente, esqueceram. Tudo por quê? Esse Pai - Orkut - tem um sistema de lembrete de aniversários. Quem está lá, pode ficar tranquilo que está sob a graça do Orkut e não esquecerá do aniversário de ninguém, tão pouco será esquecido no seu. Agora, quem está de fora, já não sei se terá o mesmo sucesso. Cai no ostracismo.
Certas horas fico com pena desses amigos, envenenados pelo mal orkutiano, estão com parte de suas memórias defasada, por falta de exercício. Deixaram a cargo do Orkut – o novo Pai Maior – o trabalho de lembrar a existência de um mundo fora da esfera cibernética. Computadores como extensão do corpo humano [profecia de McLuhan]. Mas deles, não tenho raiva, nem mágoa. Pode soar clichê, ou até anos 90 demais, mas é que ainda acho tão mais romântico aquela coisa de anotar na agenda, policiar-se para não cometer a falta de esquecer o aniversário de um amigo, poder pegar o telefone e ligar desejando tudo de bom. É tão mais íntimo, significativo, do que aquele scrap frio, azul, superficial.
O Orkut fez uma Lobotomia geral. Anestesiou a massa e a levou a um estado de baixa reatividade.

1.10.09

:: ADIVINHAÇÃO ::

Adivinhação. Já experimentei a grande maioria. Sempre fui desses que quis saber do futuro. Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante, tarô. Eu sempre perguntei o que seria o amanhã, a minha vida, o meu destino. Mas cansei. É sempre o mesmo discurso.

De tudo isso, só aprendi que consultar jogos adivinhatórios é como comprar um livro e abrir na última página para saber o final. Se for interessante, lê-se. Caso não, desisti-se. Só que fazer isso com os fatos da vida é deixar de viver as experiências, de cometer os erros, de viver as tristezas e as felicidades, de aprender, enfim. Fatalmente, essas são peças chaves para construir a história de cada um.

20.9.09

:: PROFISSÃO x RELACIONAMENTO ::

Será possível ter uma vida profissional bem-sucedida e um amor bem-sucedido ao mesmo tempo?
Os dois, é pedir muito?

Por hora, penso que, a partir do momento que se atinge o sucesso em um dos campos, abre-se mão do outro. Fazer escolhas é isso: profissão em detrimento de amor. Vice-versa. É automático.

Mas, o pior de tudo, é quando não se tem nem um, nem outro. É como se perder no meio do oceano. Sem comunicação. Sem chão. Sem nada. Não tem onde se segurar. É como desiquilibrar sem apoio. Sem compensação.

É, então, quando as armaduras vão se consolidando. A temperatura começa a baixar. Você vai ficando enrijecido, frio. Sem calor algum. Uma defesa natural que se faz sem consciência. Flui, simplesmente.

O homem vai deixando de ser homem, para ser escultura de mármore.

8.9.09

:: NOBODY DOES IT BETTER ::

Certa vez sonhei que a gente se reencontrava. Seus cabelos já não eram todos castanhos. Alguns tímidos fios brancos caracterizavam uma idade mais avançada, talvez. Meia idade. Ou, quem sabe, um amadurecimento.

Não sei o que há por trás de todo esse onirismo. Pode ser que nada. Pode ser explicação. Talvez estejamos acordados de que pra frente seja melhor. Talvez não. Talvez nada.

Será que conversamos?

Será que será?

22.6.09

:: A ARTE IMITANDO A VIDA ::

Nesse sábado último, vinte de junho, saí comigo mesmo. Fiz um programinha clichê a um. Não tinha balada programada, nem chope, nem vinho, nem sexo. Estava em casa, entediado, frio. Troquei a roupa e fui pra rua. A priori, pensei em convidar minha prima, para fazermos alguma coisa juntos. Passei na loja dela. Conversas e conversas, vi a programação do cinema. Interessei-me. Ia convida-la, mas o público no recinto tava grande e ela entretida com a movimentação. Calei-me. Dei beijo e tchau. Fui só.

Há muito tempo que não saía comigo mesmo. Para nada. Só pra me curtir. Eu e meu eu. Olhamos vitrines, conversamos. Lanchamos hambúrguer com batata frita e refrigerante. Pegamos um cineminha. O filme? Divã. Poxa... Que viagem!

Trocando em miúdos, a trama contava a jornada de uma mulher casada que se depara com sua vida ao procurar um analista – sem motivo, a princípio. Ao se olhar, começa a enxergar que sua vida está chata, sem porquê. De acordo com ela, se havia algum problema, não era por falta de felicidade. Apenas estava tudo a mesma coisa. E começa um recomeço. Transforma-se.

Pronto... Reconheci a Martha. Minha amiga, confidente, companheira. Nossa... Quanta saudade eu sinto dela. Olhar a personagem se transformando – de mulher casada, cabelo preso, para mulher fatal, sensual, cabelo repicado. Fantástico. A Martha viveu uma jornada mais ou menos assim. De cabelo preso à cabelo repicado. Separou-se e foi viver o recomeço. Diferenças entre as personagens [a Marcêdes do filme e a Martha da vida real] são gritantes, mas algumas semelhanças são tão próximas.

Confesso humildemente que chorei. E, curiosamente, antes de começar a assistir o filme, ainda na fila, sentia-me angustiado. Sei lá. Coincidência ou não, foi diferente. Parecia uma presença.

Pode soar chato, repetitivo, eu ficar falando isso. Mas a verdade é que ninguém é capaz de compreender o que eu sinto. A minha relação com ela é surreal. É eterno e ninguém, no mundo, será capaz de destruir, abalar. É meu e dela. Só nosso.