E com o tempo eu fui aprendendo que o homem se torna autêntico quando aprende que a solidão não é um fardo, um peso, uma pedra, um espinho, uma cruz... Mas o preço do compromisso com a sua própria liberdade.
E é aí que a gente aprende como é bom ser livre.
4.2.09
:: AUTÊNTICO ::
28.11.08
:: ENCONTRE-ME NOS SONHOS ::
Acredito em toda a espiritualidade, toda essa questão de energias que fluem positiva ou negativamente, deuses guardiões. Sou muito místico e aprendi a permitir esse lado conversando com uma tia. Ela também tem essa relação, digamos, íntima, com o sobrenatural através de sonhos e, em função de suas histórias, comecei a prestar atenção nos meus sonhos. Parece que, aí, derrubei barreiras e abri o canal.
Tive mais uma prova disso essa noite.
Uma amiga minha faleceu há três meses. Ela já estava doente há muito tempo e foi para o Rio fazer o tratamento. Seu mal foi o câncer e, em decorrência disso, submeteu-se a severas sessões de quimioterapia. Infelizmente o corpo não resistiu.
Ela era um ser grandioso. Mulher. Aprendi a prestar atenção na minha espiritualidade também com ela, pessoa a quem confessei as coisas mais importantes da minha estrada. Perde-la foi um choque. E ainda dói. Porque, enfiado nessa vida louca de faculdade – na época eu ainda estudava – trabalho, estágio, a vida foi passando, o tempo, os dias, os meses. Poucas foram as vezes que eu consegui conversar. Ligar. A última, se não me falha a curta memória, foi poucos dias antes do Natal, quando liguei para desejar Boas Festas. Lembro exatamente suas palavras de esperança. Depois disso o tempo correu. Tentei contato, claro! Mas não conseguia falar. Mandei mensagens. Confesso que fui ausente.
Não há um só dia que eu não tenha um flash-black. Uma vitrine com as novas tendências, um caso do acaso, um óculos lindo, um scarpin, um capítulo de Sex and the City. A confusões do dia-a-dia, as comédias da vida. Tudo me leva a ela.
Ontem, andando pela rua, voltando para casa, sua imagem me veio em mente. Pensei: você podia vir falar comigo pelo sonho, que tal? Passou.
Casa. Banho. Internet. Sex and the City. Cama. Sono. Sonho.
Eu estava na loja da minha prima, onde estou praticamente todos os dias. Ela apareceu. No sonho, por acaso. Abraçou-me tão sinceramente, da mesma maneira como me abraçou quando fiz a minha primeira confissão. Disse que estava com saudade. Que já tinha tentado me ligar. Estava linda, como sempre. Foi surpreendente.
Surpreendente da mesma maneira como descobri a sua passagem. Foi em meio a um turbilhão.
Minha vó faleceu em seis de setembro de dois mil e oito. Um sábado à tarde.
Na quinta-feira anterior, eu havia sonhado com Martha. No jardim da minha casa. Ela, sorrindo ao lado das duas filhas. Uma, a Renata, grávida.
Enquanto viva em carne, Martha sempre falara que não aceitaria bem uma gravidez precoce de suas filhas. Porém, no sonho, ela estava feliz com o nascimento daquele bebe.
Acordei, na sexta, entrei em contato com a Renata e pedi notícias de sua mãe.
No sábado – seis de setembro – recebi a resposta. “Ela estava muito doente e faleceu”. Um soco.
Mas, como eu estava anestesiado por conta do falecimento da minha avó, a ficha não caiu. Lamentei, mas não me desesperei, pelo contrário, lisonjiei-me.
Ora, ela veio me avisar que tinha partido. E, mais: que havia aceitado aquele nascimento – no sonho, representado pela gravidez da Renata.
Ela havia nascido denovo. Estava muito doente e sacrificada. E veio me contar. Ainda mais, buscou contar-me enquanto eu estava envolvido naquela confusão de vida-morte-vida. Se não fosse assim, eu saberia no dia exato do meu aniversário – mesmo dia do aniversário dela. Procuraria para desejar parabéns e...
É gratificante demais saber que fui importante pra ela, porque ela marcou a minha vida, a minha história, o meu tempo.
É gratificante saber que eu tenho um canal de comunicação.
É gratificante. E confortante.
27.11.08
:: SACANAGEM ::
É uma grande sacanagem eu ficar 3 meses sem escrever nada nesse diário virtual.
De fato, queria que isso aqui fosse um lugar onde eu colocasse coisas do dia-a-dia.
Não digo um lugar para tititi de coleguinha , fofoca de vovó e titia.
"Acordei, comi pão, fui pro trabalho e falei palavrão".
Nunca.
Mas relatar coisas de todos os dias. Confusões, excitações, neuras. Todo mundo tem. E isso é o grande movimento da vida da gente. Relatar é documentar o nosso cotidiano. Tão rico, tão normal.
A verdade é que eu vivo enfiado numa vida sem tesão. Sem fruta, sem sabor.
Aquela coisa militar. Casa - Escritório - Revista - Uma volta por aí - Casa.
Todo dia. Um saco.
Só que no meio dessa coisa pobre, acontece tanta coisa legal, tanta idéia louca. Coisas que deveriam ficar registradas sim. Por que não?
Preciso retomar meus sonhos. Meus costumes. Meus dons.
Preciso sair desse gelo.
Porque meu coração é tropical.
Até.
19.8.08
:: OLHA PRA TUA CARA ::
Mas é que um fato vem chamando a minha atenção nos últimos dias. As Olimpíadas. Esse grande elefante branco capaz de mobilizar o mundo inteiro. As pessoas perdem noites de sono para ficarem assistindo os jogos olímpicos. Os diálogos sempre caem no comentário do último placar da partida de vôlei, a medalha do salto a distância, a velocidade do nadador mega-power! É quando eu me pergunto: e a realidade da política brasileira, como anda?
É absurdamente engraçada a capacidade que a sociedade tem de parar para pensar as olimpíadas e ninguém pára para pensar sobre toda essa droga que a gente está vivendo. Toda essa dedada que a gente está levando. E a gente vai levando...
Pelamordedeus! Vejamos o Diego Hypólito. Pena eu não ter uma oportunidade daquelas para enfiar o dedo que o Lula não tem no próprio c-u dele!
Quando o ginasta perdeu a medalha de ouro os repórteres caíram sobre os seus ombros e pesou como responsabilidade dele fingir para o mundo que por aqui está tudo bem. Mas era essa a oportunidade de glória do rapaz, pena não ter enxergado. Mas não enxergar parece ser a maior deficiência do brasileiro.
Quando os repórteres enfiaram os microfones na sua cara como uma inquisição medieval e católica, cobrando a vitória, o bundão pede desculpas! Diego, deixa o titio aqui te ensinar: naquela hora, aquele cara lá de cima que todo mundo chama de Deus, te deu a oportunidade de virar e explicar para o Brasil e para o mundo que toda aquela desgraça, toda aquela vergonha era do Brasil, não era sua! E que aquilo tudo aconteceu porque o povo brasileiro não é enxergado pelos seus governantes! Falta incentivo, investimento nas diversas áreas sociais do nosso país. O governo está como os cavalos do dito popular: cagando e andando para o seu povo.
O máximo que aconteceria era o besouro Lula responder: Eu não sabia que o esporte precisava de investimento! Assim como ele não sabia da roubalheira do mensalão. Ele não sabe, também, que além do esporte, a cultura, a educação, a economia, a saúde, tudo isso precisa de investimento, de incentivo. O nosso povo brasileiro precisa de um olhar.
Por isso que eu levanto a bandeira de que o Brasil tinha que voltar da China [Comunista] sem nenhuma medalha. Com um pesado quadro de derrotas. Seria a derrocada da máscara de que tudo está bem. Vamos quebrar esse casulo!
Obviamente, todos os esportistas merecem, e demais, ganhar as competições. Porque eles vêm do nada para chegarem ao tudo! E são merecedores de qualquer vitória. Aliás, conseguir chegar lá já uma vitória, para um país que vive de misérias, governado por um bando de borra-botas!
Mas é que, enquanto todos atentam os olhares para os jogos olímpicos, ninguém sabe o que está sendo aprovado na Alerj, no Senado. Ninguém olha para essa distribuição de renda desordenada, para essa pobreza esfregada na nossa cara. Oh, Brasil, mostra a tua cara! Olhe-se no espelho e admita que está tudo uma droga! Nada muda enquanto ninguém aceitar a realidade. E a nossa está vestida de trapos!
Povo, pára de fingir que está tudo bem! Começa a pensar a sua realidade. Será que vai ser necessário uma revolução ao contrário da de 64? Vamos lutar. A mudança é celular. Começa nos pequenos grupos e vai se disseminando. Enquanto cada um estiver mergulhado nesse inebriante discurso pós-moderno, tudo vai de mal a pior. Até o dia em que a dedada for única e exclusiva em você. Pois, por enquanto, está no anel da sociedade, mas cuidado: pode deixar de ser no cu do coletivo, para ser no seu cu.
